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Neste setembro amarelo, mês escolhido por vários órgãos e também profissionais de várias áreas para trabalhar pela prevenção do suicídio, nada mais oportuno do que falar de uma doença que tem preocupado muitas famílias: a depressão.
Mas a depressão também ocorre na infância? Sim e mais frequentemente do que se imagina. Com elas, a doença ainda tem um fator mais preocupante: os sinais e sintomas apresentam-se de forma bem diferente dos adultos, já que os pequenos acabam não tendo o comportamento depressivo diretamente associado à tristeza.

 

Sem tristeza

Quem fala sobre como a depressão pode ser identificada na criança e também no adolescente é a psiquiatra, especialista em infância e adolescência da Consukids, Tatiane Borja. “A criança, geralmente, não vai demonstrar um humor triste. O problema vai aparecer de outras formas. Alteração no padrão alimentar e de sono, queixas de dores físicas, sensação de cansaço, a queda no rendimento escolar, por exemplo, de forma repentina, podem ser sinais de depressão”, explica a médica.
Outro fato que torna mais difícil de perceber o problema em crianças é o fato de que, como elas estão em desenvolvimento, acabam assimilando os sintomas da depressão como um fator próprio de sua personalidade, e mesmo que estejam sofrendo, não sabem que tudo que estão vivendo pode ser resultado de uma doença, e que podem ser aliviados. Acabam ficando mais isolados, retraídos.

Outra característica importante, é que, muitas vezes, essas crianças não buscam ajuda dos pais ou responsáveis. Cai o interesse por brincadeiras e atividades infantis que antes davam prazer…

Querem ficar no quarto, evitam ficar na presença dos pais e de outras pessoas. Outro fator importante a ser observado é a qualidade do sono da criança. Começa a dormir demais ou passa a ter muita dificuldade para dormir. “É a mudança repentina que vai apontar, associada a vários fatores, se é ou não um quadro depressivo”, explica dra. Tatiane Borja.
Como não sabe nomear com clareza as próprias emoções, muitas vezes, o mal estar vai ser apontado pela criança como uma dor física. Ela também pode mudar outros hábitos, como por exemplo, passar a ser mais seletiva na escola dos alimentos. Outro fator importante a ser observado é se a criança fica ansiosa e teme muito se separar de seus pais ou cuidadores. Isto vai muito além daquela dificuldade inicial de ficar na escola, na fase da creche.

 

Sintomas

Vale ressaltar: há crianças que naturalmente demonstram mais insegurança que outras, e não necessariamente isto as identificaria como depressivas.

O quadro de depressão está inicialmente relacionado a:

  • medo excessivo e continuado;
  • mudança nos hábitos alimentares;
  • mudança na qualidade de sono;
  • queda no rendimento escolar;
  • isolamento e apatia;
  • irritabilidade;
  • agitação.

Existem situações que podem desencadear a depressão infantil? Sim, lutos, perdas significativas, mudanças repentinas na vida da criança, estão entre os fatores de risco. Também é importante observar se há casos de depressão na família, pois o histórico familiar é um agravante no aparecimento da doença em crianças.

Adolescentes

E como se comporta o adolescente depressivo? Quais as diferenças de comportamento neste caso, em relação à depressão infantil?

Os adolescentes ficam mais isolados, querem ficar no quarto, evitam ficar na presença dos pais e dos amigos. O humor triste, que não era sinal preponderante no caso das crianças, já aparece entre os sintomas da depressão em adolescentes, mas especialmente entre as meninas, assim como a baixa autoestima. Os meninos vão demonstrar essa mudança de comportamento por meio de agressividade, podem deixar uma personalidade dócil para adotar um estilo mais hostil de se relacionar com as pessoas sem que necessariamente tivessem um motivo para tal.

A depressão no adolescente também está relacionada ao sentimento de desesperança, infelicidade, de que nada mais “dará certo”. É exatamente neste conjunto de sentimentos que reside o perigo, pois é na adolescência que está o risco maior de tentativa de suicídio.

Mas como diferenciar um comportamento normal de uma situação que requeira intervenção profissional?

A criança e o adolescente com depressão geralmente possuem estes sintomas associados a um prejuízo significativo na vida acadêmica e social, e se não tratados podem progredir para o agravamento do quadro. O tratamento normalmente é a associação do atendimento psiquiátrico com a psicoterapia. O apoio dos familiares e amigos também é fundamental para uma melhor recuperação da criança ou jovem. Existem casos, em função da capacidade de rápida recuperação da criança, que nem se faz necessário o uso de medicamentos, sendo usada apenas a psicoterapia. Mas toda e qualquer avaliação deve ser feita por um profissional da área.

Quer saber mais? Confira a entrevista concedida por Sandra Scivoletto, médica psiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, coordenadora do Grupo de Estudos Álcool e Drogas e responsável pelo Ambulatório de Adolescentes do Hospital das Clínicas da FMUSP, ao dr. Dráuzio Varella sobre o assunto: clique aqui!

Cartilha 

Uma cartilha com diversas informações sobre prevenção ao Suicídio foi lançada pela Associação brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho  Federal de Medicina (CFM). Ela está disponível no site da ABP!

O material é gratuito e pode ser baixado no site da Associação

 

Fontes: Dra. Tatiane Borja, Consukids e Associaçao Brasileira de Psiquiatria

Foto: Freepik