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O nome é complicado e para muitas pessoas não remete, de imediato, a nenhum significado. Mas a dislexia faz com que a fase escolar e até a procura por trabalho sejam circunstancias de muito sofrimento para crianças, jovens e até adultos, se não tratados. Mas, afinal, o que é a Dislexia?

O que é?

É um transtorno neurológico de aprendizagem que se traduz na dificuldade de processamento de leitura e escrita. Mas como algo tão específico, em uma área específica do cérebro, pode acarretar tantas mudanças na vida cotidiana de uma criança?
A fonoaudióloga e Mestre em Linguística Tania Soares explica melhor: “é uma dificuldade que, em geral, só aparece no período da alfabetização, e é notada pelos professores, na escola, mais até que pela família do paciente. É um transtorno que não está ligado à inteligência, pois essa criança vai compreender perfeitamente uma história, quando alguém lê para ela. Mas vai ter dificuldade de memorizar o som das palavras, de dividi-las em sílabas, de relacionar o fonema destas partes das palavras ao som que elas emitem,” completa.

 

Diagnóstico

O diagnóstico, porém, é algo que precisa ser feito com cuidado, não depende apenas de uma avaliação clínica e é feito de forma conjunta por vários especialistas. Além do fonoaudiólogo, a criança deve ser avaliada pelo pediatra ou neuropediatra, ou ainda por um médico psiquiatra especializado na área da Infância. Outro fator importante: esta avaliação só é fechada como Dislexia após o 2º ano de ensino formal, período em que a criança já passou por vários tipos de estimulação para o desenvolvimento da linguagem.

Sinais

Como perceber este transtorno? Existem sinais importantes, que podem ser percebidos pelos pais, pela escola e que auxiliam os que fazem parte do convívio direto com a criança a colaborarem para seu pleno desenvolvimento, sem preconceito, ou julgamentos que possam desanimá-la no processo de aprendizagem como um todo.

Genética

“É uma criança que vai manifestar uma dificuldade de acessar a palavra que necessita naquele momento, por exemplo: vai falar coisa, negócio, para nomear o objeto que precisa. Na escola, pode apresentar dificuldade para bater palmas no ritmo, quando solicitado, para dividir as partes das palavras e identifica-las com seus sons, pode demorar para dar nome às cores, para saber os dias da semana”, explica Tânia. No entanto, em outras áreas cognitivas, esta mesma criança, normalmente, demonstra desenvolvimento normal: “é uma criança esperta, que faz tudo muito bem oralmente, muitas delas adoram artes, se desenvolvem muito nesta área”, ressalta a fonoaudióloga.
Além destes sinais, a Dislexia pode estar relacionada ao fator genético, ou seja, quando já existem na família pessoas disléxicas, há mais chances de que outras crianças nascidas na mesma família manifestem o transtorno.

Como perceber: 

Na Pré-escola

• Dispersão;
• Fraco desenvolvimento da atenção;
• Atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem
• Dificuldade de aprender rimas e canções;
• Fraco desenvolvimento da coordenação motora;
• Dificuldade com quebra-cabeças;
• Falta de interesse por livros impressos

Na Fase Escolar

  • Dificuldade na aquisição e automação da leitura e da escrita;
  • Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
  • Dificuldade na coordenação motora fina (letras, desenhos, pinturas etc.) e/ou grossa (ginástica, dança etc.);
  • Desorganização geral, constantes atrasos na entrega de trabalho escolares e perda de seus pertences;
  • Confusão para nomear entre esquerda e direita;
  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas etc.;
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou longas e vagas;

 

Tratamento

A criança acompanhada por um fonoaudiólogo e diagnosticada com Dislexia, em geral, será estimulada para desenvolver a habilidade mental de separar fonemas e a desenvolver estratégias para contornar sua dificuldade natural.

Em casa, a família também pode ajudar no tratamento, comunicando-se com a criança mostrando imagens, mostrando esquemas visuais, e outras formas de explicar o mesmo conteúdo, mas fazendo uso da linguagem oral e  audiovisual.

Na escola, a cópia pode ser estimulada, vídeo-aulas podem ser utilizadas, maquetes, esquemas visuais, tudo que facilite a compreensão da criança com recursos que favoreçam suas outras habilidades cognitivas.

Para não desanimar a criança, ou rotular sua forma de estudar e aprender, a família deve sempre focar o incentivo para que ele se esforce em aprender , em tentar, nunca focar apenas no resultado ou rendimento.

Fontes:

  • Tania Soares, fonoaudióloga da Desenvolver – Centro de Desenvolvimento Cognitivo, Mestre em Linguística pela UFRJ, membro do Conselho Consultivo da AND – Associação Nacional de Dislexia.
  • http://www.dislexia.org.br

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