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Talvez uma das palavras mais usadas nas últimas décadas no que se refere à saúde seja imunidade. São inúmeras fórmulas e orientações para aumentar a defesa natural do organismo contra as doenças. No caso de crianças que têm algum tipo de alergia, ou que enfrentam frequentemente uma doença respiratória, a indicação deste tipo de tratamento se tornou muito comum nos consultórios. Mas afinal, o que é verdade e o que é mito em relação à imunidade infantil? É correto dizer que se faz uso de medicação para aumentar a imunidade?

A pneumologista e pediatra da Consukids, Lívia Lopes, explica  que nem toda medicação tem relação direta com a imunidade. E que mesmo que, aos olhos de quem é leigo, possa parecer tudo relacionado à tese de “fortalecer a imunidade”, não é bem assim. “O montelucaste de sódio não serve para aumentar imunidade. Ele é usado como um medicamento potencializador no tratamento da rinite alérgica e da asma. É uma associação. Não é que ele melhore a imunidade, ele ajuda a controlar a asma (não é em todos os casos, existem indicações específicas) e também nos casos de rinite alérgica, o que faz com que a criança que toma a medicação tenha uma melhora no quadro respiratório e ela não evolua para uma piora diante de uma infecção viral por causa de um descontrole da asma ou da rinite alérgica”, explica a especialista.

 

Novos medicamentos

Outros medicamentos, conhecidos como “lisados bacterianos” (entram nesta categoria medicamentos como Kaloba, Broncho-Vaxon, por exemplo),  são sugeridos como uma forma de fazer com que a criança crie anticorpos para que ao entrar em contato com estes organismos, ela esteja imune, mas ainda é uma tentativa, uma aposta, sem comprovação científica. “Eles são um ‘pool’ de bactérias, uma mistura que vai agir como se fosse uma vacina. Mas ainda não há trabalhos científicos suficientes que atestem eficácia destes medicamentos. Há relatos de alguns profissionais que apontam ter alcançado boas respostas”, explica dra. Lívia.

 

Faixa etária mais frágil

Mas existe um período da infância em que a criança está mais suscetível a doenças, ou mais frágil em relação à imunidade? Segundo a especialista, o período dos 6 meses até os 5 anos, é um período de maior incidência de infecções virais, por exemplo. “Neste período, ela pode ter até de 6 a 8 infecções por vírus por ano, pois ela ainda não teve contato com esses micro-organismos. Por isso, a criança fica mais gripada que o adulto, pois a imunidade dela ainda está sendo formada, o adulto já teve contato com estes vírus”, afirma.

E quando a criança tem mais de 8 infecções em um ano? Há motivo para se preocupar? A pediatra explica que o meio também tem influência direta na saúde da criança. Por exemplo: “se esta criança vai à creche, ela pode ter até uma infecção por mês, o que daria 10 por ano. Assim, para os pais, pode ficar a impressão que ela está sempre gripada”, esclarece. Outro fator complicador em relação à imunidade, é a alergia. “Se esta criança for alérgica, esta infecção tende a durar mais que uma semana (que é o tempo que dura uma gripe ou resfriado). Além disso, se ela for alérgica terá mais chances de evoluir para complicações, como uma sinusite, por exemplo”, acrescenta.

Outro fator que colabora para a proliferação destes vírus é o próprio comportamento da criança, típico desta fase, cheia de descobertas. “É nesta fase que a criança troca brinquedos, se estiver na fase oral, vai colocá-los na boca. Além disso, se estiver em creche, vai ficar ainda em uma sala com várias crianças, então, muitas vezes, se uma gripa, várias acabam gripando também”, diz Lívia.

Mas existem situações em que é necessário investigar uma possível queda na imunidade? Sim, há situações que devem ser observadas com mais atenção pela família. Confira o quadro abaixo:

Os dez sinais de alerta para imunodeficiência primária na criança: 

· Duas ou mais pneumonias no último ano;

· Quatro ou mais episódios novos de otite no último ano;

· Estomatites de repetição (aftas) ou monilíase (sapinho) por mais de dois meses;

· Abscessos de repetição; · Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, septicemia, osteoartrite);

· Infecções intestinais de repetição ou diarreia crônica;

· Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune;

· Evento adverso à vacina BCG ou infecção por micobactéria;

· Manifestações clínicas sugestivas de síndromes associadas à imunodeficiência;

· História familiar de imunodeficiência.

Também vale um alerta especial em relação ao uso de antibióticos: o uso repetitivo destes medicamentos pode aumentar o risco de resistência bacteriana.

Fontes: Consukids, www.imunopediatria.org.br (Grupo Brasileiro de Imunodeficiências – BRAGID)  e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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