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Dar ou não chupeta para o bebê? A discussão em torno do uso delas, das mamadeiras e do quanto isso pode afetar ou não o aleitamento exclusivo, além de trazer outros prejuízos para a saúde das crianças, está bem longe do fim. Mas independentemente da decisão tomada pelos pais, é dever dos pediatras, dos profissionais que acompanham o desenvolvimento de seu pequeno orientar sobre quando esta prática pode dificultar, ou mesmo levar o bebê a abandonar o hábito de mamar.

A pediatra e especialista em Puericultura da Consukids, Bruna Lopes, explica que não é possível saber se a criança vai ou não abandonar o peito em função do uso da chupeta ou da mamadeira, mas o que deve ser considerado é que o esforço feito pela criança para sugar no peito é maior, ou seja, qualquer oferta de alimento ou mesmo de um objeto que o tranquilize (no caso, a chupeta) onde ele tenha que fazer menos esforço, pode colocar em risco o aleitamento.

Aquela velha história de que o bebê vai fazer o peito da mãe de chupeta também não deve ser, nem de longe, um empecilho para que a mãe favoreça seu pequeno com a melhor nutrição que existe para esta fase: o leite materno. Neste caso, é muito mais vantajoso que ele encontre alento enquanto mama no peito.

Existe um momento certo, ou menos arriscado para oferta do bico à criança?

Não existe um momento seguro que se possa oferecer a chupeta à criança, e que haja garantia de que ela não vai deixar de mamar no peito. Existem crianças que vão ser amamentadas, vão usar a mamadeira, ao mesmo tempo, sem prejuízo para o aleitamento. Outras, não. Não é possível prever quando ou com qual criança vai acontecer essa famosa confusão de bico.

Mas o importante é alertar que o risco existe e que isto deve ser pesado pelos pais levando-se em conta os incontáveis benefícios da amamentação exclusiva durante os primeiros meses de vida do bebê.

Cuidados

Para os que já fizeram a opção pela chupeta, algumas recomendações são importantes no sentido de evitar ou prevenir a confusão de bico:

  • O uso de bicos ortodôntico (aqueles que são achatados e com furo único na lateral), que fazem com que a criança faça mais esforço para sugar, sendo este mais próximo ao esforço feito para mamar no peito;

 

  • O uso deve ser restrito ao necessário para dormir, acalmar. Devendo-se retirá-la da criança sempre que a mãe perceber que seu uso é desnecessário.

 

Estudo aponta visão de mães sobre uso da chupeta

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, que tem como uma das autoras a odontopediatra Elaine Cristina Dadalto, apontou outro ponto de vista sobre a relação entre o uso da chupeta em bebês prematuros e como isso afeta o aleitamento materno nestes casos. A pesquisa capixaba foi publicada na Revista Paulista de Pediatria de dezembro e aponta como pode ser prejudicial para as mães o uso da chupeta mesmo que com o intuito de acalmar o bebê e estimular a sucção e consequentemente, a alta hospitalar. “Os resultados apresentados demonstraram que as mães tinham conhecimento prévio sobre os benefícios da amamentação, porém, a maioria teve dificuldades para manter o aleitamento materno exclusivo após a alta da UTI neonatal e introduziram a mamadeira”, afirma a professora Dra. Elaine Cristina Vargas Dadalto, em entrevista no site da SPP.